O OFÍCIO DE COLOCAR HUMOR NO ROSTO DAS PESSOAS
O trabalho de caricaturista em eventos é algo cansativo, dependendo, claro, do tempo de ação que o desenhista estará produzindo, mas no geral é uma carga horária extensa em se tratando de feiras e congressos: cinco, seis, sete horas e às vezes até mais. Porém, é claro que vou dizer a vocês que acaba sendo sempre gratificante, mesmo após, conforme disse, horas e horas desenhando ininterruptamente rostos a cada cinco minutos. Tecnicamente falando, se trata de um grande exercício de observação e rapidez. O desenhista precisa desenvolver uma habilidade de "fotografar" o rosto da pessoa para desenhá-la, logo que ela se senta ali na sua frente. Não há muito tempo para perder em observação, "análises". Tudo tem que ser muito rápido, desde o geral do rosto, até os detalhes.Com o passar dos anos, aprende-se a perceber algumas caracte-
rísticas da pessoa que se senta
na sua frente. Pelo silêncio, pela
alegria, pelo nervosísmo, sim, muitas ficam nervosas naquele momento de ser desenhada, é quase como se a caricatura fosse
expôr algo que ela não quer compartilhar ou então, roubar algo que é só seu. Vai saber o que se passa na cabeça de cada um, sendo que na verdade, sem análises freudianas, o cartunista só quer mesmo é divertir as pessoas e também, óbvio se divertir. Em muitos anos que trabalho com esse seguimento, me deparei com situações de tremenda graça, de muita alegria, de muita risada e assim como, situações de grande emoção e essas sim, marcaram muito, pela representatividade que aquele desenho, aquela caricatura trouxe à pessoa, aquele momento. As pessoas sim
nos trazem isso, naquele breve momento, naqueles cinco minutos de desenho, onde muitas vezes a gente no profissional da coisa, na contínua sequencia de rostos, se esquece dessas probabilidades humanas e artísticas. O artista, a obra e a pessoa.

Quanto tempo ainda farei isso? Não sei e nem penso nisso. Porém, há uma frase que um velho amigo, antigo cliente, o Marcelo, me disse uma vez refererindo-se à minha pessoa (e eu aqui estendo a todos os colegas de profissão, de ação): "O homem que faz os outros rirem." Bonito isso, não? Tanto é que nunca esqueci essa forma que esse querido amigo se referia a mim, pois antes de qualquer pretensão estética, artística, filosófica ou o que for,
é tremendamente bom saber que ali, naqueles cinco minutinhos a única e melhor emoção que você e o modelo da caricatura compartilharam foi a alegria.
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